Diante de ataques cada vez mais sofisticados, priorizar a cibersegurança para fintechs é uma estratégia fundamental. Assim, é possível proteger as informações dos clientes, assegurar a conformidade e a confiança, e garantir a continuidade do negócio.
As fintechs (união dos termos em inglês financial (financeiro) e technology (tecnologia)) revolucionaram os serviços financeiros e bancários. Por meio de serviços como pagamento sem contato, micro investimentos, empréstimos online e baixas taxas, essas empresas se popularizaram entre consumidores de todo o mundo.
Porém, apesar dos diversos benefícios, o setor também possui muitos desafios relacionados à segurança cibernética. Isso porque esse tipo de negócio lida com inúmeras informações financeiras sensíveis diariamente, tornando-se alvo de ataques cibernéticos.
Neste conteúdo, você vai poder explorar um pouco mais esse cenário e entender os principais riscos e desafios que as fintechs enfrentam. Confira desafios, riscos e como fortalecer a cibersegurança de uma fintech! Vamos lá?
Tabela de Conteúdos
ToggleO cenário de crescimento das fintechs

As fintechs transformaram o modo de funcionamento do mercado financeiro em todo o mundo. Essas empresas utilizam tecnologias inovadoras para otimizar serviços financeiros por meio de soluções consideradas disruptivas.
O LatAm Fintech Report 2025, da Sling Hub em parceria com a Torq, apontou mais de 2 mil fintechs em todo o Brasil. O setor segue em amplo crescimento, o que também o torna alvo para os cibercriminosos.
Isso porque, por meio dos sistemas das fintechs, diariamente ocorrem inúmeras transações monetárias, bem como de dados pessoais e financeiros sensíveis. Assim, essas empresas precisam lidar com complexidades como:
- Grandes volumes de informações críticas;
- Forte dependência de APIs para automação e integração;
- Sistemas de pagamento;
- Rigor das regulamentações e legislações;
- Riscos reputacionais;
- Risco de exposição de milhões de usuários por meio de uma única vulnerabilidade.
Por que a cibersegurança é tão importante para as fintechs?
O cibercrime possui um alto potencial de inovação e adaptação, muitas vezes mais rápido do que as empresas conseguem acompanhar. Desse modo, um ataque cibernético pode trazer consequências desastrosas para uma fintech.
Um incidente de segurança em uma fintech pode gerar:
- Redução da confiança dos clientes;
- Perda de clientes;
- Perdas financeiras;
- Danos à reputação;
- Multas e sanções legais.
Portanto, investir em cibersegurança para fintechs é uma necessidade fundamental para empresas que querem se proteger e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Quais são as principais ameaças cibernéticas para as fintechs?
As fintechs estão expostas a diversos tipos de ataques cibernéticos. Conheça os principais:
1. Comprometimento de identidades e credenciais
O comprometimento de credenciais legítimas é um vetor de entrada muito frequente para criminosos cibernéticos. No ambiente atual, usuários humanos compartilham espaço com agentes de inteligência artificial, APIs, automações e contas de serviço.
Isso torna o cenário ainda mais complexo e faz a gestão de identidades ter um papel central nas estratégias de segurança corporativa. Uma identidade comprometida permite que o criminoso utilize acessos e autorizações válidas.
Tudo isso causa um enorme impacto na operação e na reputação da fintech. Isso porque o uso indevido da identidade pode permitir acesso a dados, movimentação dentro do ambiente e interferência em operações.
Para lidar com esse tipo de situação, é necessário criar um sólido programa de governança de identidades, utilizar autenticação multifatorial para reduzir os riscos de uma credencial comprometida, e realizar monitoramento de acessos e comportamentos após a autenticação.
2. Vazamento e exposição de dados
As fintechs coletam e processam um grande volume de dados pessoais e financeiros, o que as torna alvos frequentes. Para tentar acessá-los, criminosos exploram falhas nos sistemas, utilizando inclusive ferramentas com base em inteligência artificial.
O custo de um vazamento de dados ultrapassa a casa dos milhões de dólares. Além disso, apesar de ser possível restaurar os sistemas, os danos reputacionais podem ser irreparáveis, minando a confiança dos consumidores e trazendo penalidades regulatórias.
A autenticação multifatorial também é essencial nesse contexto, bem como a criptografia de dados, a rápida identificação e correção de vulnerabilidades e o uso de soluções para monitorar e controlar fluxos de informações críticas.
3. Vulnerabilidades em APIs
As APIs (Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicações) são regras e padrões que possibilitam a comunicação, conexão de serviços e troca de dados entre diferentes softwares.
Falhas na autenticação, autorização ou configuração das APIs financeiras podem abrir brechas para expor funcionalidades e dados, inclusive de clientes.
Para evitar esse tipo de problema, é necessário possuir um inventário de APIs, realizar testes, ter um controle de acesso adequado, realizar as atualizações necessárias e monitorar os sistemas.
4. Ataques DDoS
Outra estratégia dos criminosos é sobrecarregar os sistemas e aplicativos para comprometer seu desempenho ou disponibilidade. Com isso, podem gerar a impossibilidade de realizar transações, prejudicando a continuidade operacional.
A prevenção envolve proteção de infraestrutura, capacidade de absorção, filtragem e atuação conjunta com provedores.
5. Phishing e engenharia social
Esses golpes exploram a confiança do usuário e continuam sendo muito frequentes em todo o mercado. Criminosos enganam colaboradores e clientes fingindo ser representantes da instituição, autoridades por meio de e-mails, ligações ou mensagens falsas.
O intuito é conseguir credenciais, códigos de autenticação ou dados pessoais. Além disso, eles podem tentar instalar malwares e conseguir autorização para praticar ações fraudulentas.
6. Ransomware
Nesse tipo de ataque, os criminosos tentam deixar sistemas e dados indisponíveis, interromper serviços, roubar informações e gerar extorsão.
Por exemplo, eles podem criptografar documentos financeiros e bloquear o acesso dos clientes aos sistemas. Com isso, geram uma paralisação dos serviços e solicitam resgate sob a promessa de liberar o acesso ou não divulgar dados.
7. Ameaças internas
Criminosos podem recrutar funcionários das fintechs para facilitar o acesso às redes corporativas. Além disso, funcionários insatisfeitos podem vazar dados, desenvolvedores podem cometer erros e criar falhas de segurança.
Não é simples detectar e mitigar esse tipo de ameaça. É necessário combinar treinamentos de conscientização, monitoramento interno, segregação de funções, estratégias como menor privilégio e revisão de acessos, monitoramento de contas privilegiadas, registros de atividade e processos de entrada, movimentação e desligamento de profissionais.
8. Ataques à cadeia de suprimentos e terceiros
A digitalização dos serviços financeiros possibilitou integrações de terceiros nos sistemas das fintechs. Apesar da conveniência dessas redes, elas podem deixar brechas de segurança nos controles do fornecedor.
Além disso, as empresas financeiras dependem de fornecedores terceirizados de serviços de TI. Apesar de oferecer capacidade, escala e especialização, provedores externos podem expor as empresas a vulnerabilidades que podem causar interrupções no sistema.
Quais desafios as fintechs enfrentam na cibersegurança?

Diante de todo o cenário que mapeamos até aqui, já deu para perceber que as fintechs enfrentam desafios muito específicos na cibersegurança, certo? Agora, vamos explorar um pouco mais cada um deles:
Experiência do cliente
Um dos principais desafios das fintechs é oferecer uma experiência de excelência para seus consumidores. Os sistemas dessas empresas precisam oferecer uma experiência fácil e simples, com o mínimo de impeditivos.
Contudo, na maioria dos casos, os “impeditivos” são os fatores essenciais para oferecer um serviço seguro: credenciais de acesso, autenticação de duplo fator, biometria, etc. Mas, quando a fintech simplifica seus produtos sem a devida atenção à segurança, pode gerar brechas e oportunidades para cibercriminosos atuarem com liberdade.
Assim, o desafio é aplicar controles sem criar atrito desnecessário.
Adoção de novas tecnologias
As fintechs que adotam tecnologias emergentes, como blockchain e inteligência artificial, podem obter uma vantagem competitiva. Porém, isso também pode criar novas vulnerabilidades e pontos de ataque, especialmente se a segurança da tecnologia ainda não estiver madura.
Escalabilidade
O rápido crescimento das fintechs pode trazer o desafio de manter a infraestrutura segura enquanto acompanha o crescimento do negócio. Assim, é fundamental que a maturidade da segurança esteja mapeada juntamente com as estratégias de crescimento.
Integrar segurança a ambientes digitais e APIs
Falhas no desenvolvimento, configuração ou gestão das APIs podem abrir brechas relevantes nos sistemas das fintechs. Isso porque as APIs podem expor acessos diretos aos sistemas financeiros e dados críticos.
Para que a cibersegurança de uma fintech seja eficaz, é necessário:
- Inventário completo de APIs;
- Testes de lógica de negócios;
- Testes além da varredura de vulnerabilidades padrão;
- Validação de autenticação contínua;
- Detecção de anomalias em tempo real;
- Verificação automatizada de conformidade para requisitos regulamentares.
Cibersegurança e conformidade no mercado financeiro
Existem diversas normas e leis destinadas a regular o mercado financeiro. Na prática, as fintechs precisam observar as regulamentações e exigências de segurança e conformidade do mercado financeiro.
Normas recentes, como a Resolução CMN nº 5.274, que fala sobre a política de segurança cibernética e os requisitos para a contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados e computação em nuvem, são exemplos do tamanho do desafio regulatório para o setor.
Ela atualiza e reforça um padrão de controles mínimos que as instituições financeiras devem seguir, abrangendo aspectos de:
- Prevenção e resposta a incidentes;
- Governança;
- Gestão de fornecedores;
- Contratação de serviços em nuvem;
- Rotinas operacionais críticas relacionadas à cibersegurança.
Os principais requisitos técnicos e operacionais das novas diretrizes incluem:
- Autenticação multifatorial;
- Robustos mecanismos de controle de acesso;
- Gestão de certificação digital;
- Criptografia de canais e informações sensíveis;
- Rastreabilidade de eventos;
- Geração de logs auditáveis;
- Monitoramento contínuo de vulnerabilidades;
- Correção tempestiva;
- Contratos e controles sobre serviços de terceiros e ambientes em nuvem;
- Testes de intrusão (pentests) frequentes, independentes e com resultados comprováveis.
Os pentests devem demonstrar a efetividade prática e técnica dos controles de segurança, mapeando também:
- A avaliação dos riscos associados;
- Classificação de prioridades;
- Planos de ação detalhados para mitigação;
- Evidências documentadas e retidas por, no mínimo, cinco anos, disponíveis para fiscalização do Banco Central.
As instituições financeiras também precisam adotar uma abordagem contínua e estruturada de inteligência de ameaças. A intenção é integrar coleta, análise e compartilhamento de dados sobre ameaças cibernéticas relevantes ao setor.
Fintechs e a LGPD

Instituições financeiras lidam com um grande volume de dados pessoais sensíveis. Por isso, devem seguir as normas e diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD – Lei nº 13.709) para o tratamento de informações pessoais sensíveis, garantindo a proteção da privacidade e dos direitos fundamentais dos titulares.
Em linhas gerais, as principais determinações da LGPD englobam:
- Os agentes de tratamento mantenham o registro das operações de tratamento de dados pessoais que conduzem;
- As empresas realizem o tratamento de dados em consonância com as bases legais previstas na LGPD;
- Os controladores disponibilizem um canal de comunicação para os titulares dos dados exercerem seus direitos;
- Comunique a ANPD e os titulares de dados em caso de incidente de segurança da informação envolvendo dados pessoais que possa gerar risco ou dano relevante aos titulares;
- Adote medidas de segurança, técnicas e administrativas, para proteger os dados pessoais de acessos não autorizados, bem como de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito.
Além disso, o setor precisa responder tanto às normas da LGPD quanto a:
- Normas do Banco Central;
- Regras do Conselho Monetário Nacional;
- Lei Complementar 105/2001;
- Lei do Cadastro Positivo (Lei nº 12.414).
Com isso, poderão estar de fato em conformidade com todo o ecossistema regulatório do setor financeiro.
Como fortalecer a cibersegurança de uma fintech?
Para fortalecer a cibersegurança de uma fintech, é necessário investir em proteção de dados. Ignorar que operações financeiras digitais necessitam de uma infraestrutura confiável e segura é comprometer a operação do negócio.
Por isso, é necessário implementar uma abordagem de cibersegurança abrangente, progressiva e auditável. Ela deve unir tecnologia, gestão estratégica e inteligência operacional para ampliar a proteção das fintechs. Confira algumas estratégias:
- Avaliação técnica inicial para identificar ativos críticos do negócio, mapear vulnerabilidades e quantificar impactos financeiros. Esse diagnóstico irá orientar as alocações de orçamento;
- Homologação de fornecedores a partir da validação de certificações ativas, do histórico operacional, arquitetura de segurança e SLAs de suporte;
- Implementação e testes constantes, a partir de uma engenharia de segurança que configura o isolamento dos ambientes, integra as plataformas de defesa e executa simulações de intrusão para validar a resistência da arquitetura.
Além das exigências de conformidade, algumas tecnologias e medidas podem auxiliar na evolução da maturidade de cibersegurança para fintechs, como:
- A criptografia é fundamental para proteger informações em trânsito e em repouso;
- Autenticação de múltiplos fatores ajuda a assegurar que apenas usuários autorizados acessem as contas;
- Sistemas de monitoramento e detecção de ameaças em tempo real são fundamentais para identificar atividades suspeitas e responder de maneira a evitar danos maiores;
- Mantenha os sistemas atualizados com os patches de segurança mais recentes para mitigar vulnerabilidades;
- Treinamentos e capacitações são fundamentais para que as equipes adotem as melhores práticas de segurança, identificando phishing e protegendo informações confidenciais, por exemplo;
- Considere atuar junto com empresas de cibersegurança especializadas para garantir uma proteção robusta para sua infraestrutura.
O NeX é um Centro de Operações de Segurança (em inglês, Security Operations Center – SOC) que atua de maneira automatizada para reduzir o tempo de identificação de ameaças, contextualizar, contê-las e oferecer uma resposta rápida e eficaz.
Dúvidas sobre cibersegurança para fintechs
Cuidar da segurança cibernética é fundamental para fintechs que querem garantir a continuidade do negócio, a conformidade com as normas e a confiança dos consumidores. Confira as principais dúvidas sobre o tema:
O que é cibersegurança para fintechs?
É o cuidado que empresas do setor financeiro precisam ter com seus sistemas digitais para evitar invasões, vazamentos de dados e outros riscos.
Por que fintechs são alvos de ataques cibernéticos?
Porque o setor está em constante crescimento e lida diariamente com um grande volume de informações sensíveis, como dados pessoais, informações bancárias e de cartão de crédito, e outras.
Quais são os principais riscos de cibersegurança para fintechs?
Perdas financeiras, perda de credibilidade junto aos clientes e mercado, e quebra de conformidade junto a instituições como o Banco Central, que podem atrapalhar a continuidade e sustentabilidade da empresa.
Como uma fintech pode prevenir ataques cibernéticos?
Adotando estratégias progressivas e auditáveis, como o mapeamento de riscos, adoção de tecnologias robustas, rotina de pentests e outras.
Contar apenas com ferramentas e tecnologias isoladas já não é suficiente para proteger operações críticas. O Oakmont Group apoia organizações na construção de uma estratégia moderna de proteção, monitoramento contínuo e resposta a incidentes.
Acompanhe nosso blog para aprimorar seus conhecimentos sobre temas relacionados à segurança digital, e compartilhe nossos conteúdos com seus colegas!
